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       FUI PRESO NA A20 REPRESSÃO E TORTURA NA MANIFESTAÇÃO ANTI-ALCA


eu fui preso na A20,Delegacia é um infernoExiste inferno? Sim...
O som dos tambores anunciaram o ínicio da passeata. A multidão primeramente aglomerada espalhava-se pela rua. Gritos de protesto, músicas revolucinárias, ardor jovem na busca pela paz, foram reprimidos a bombas e cacetadas. Respondiam como podiam. Paus, pedras voavam pelos ares. Tiros acertavam o peitos dos camaradas. O som dos cacetes batendo em escudos anunciaram o medo. Todos corriam. A repressão é imensamente forte.
Direitos afogados a pauladas. Sonhos, destruidos a tiros. Suando quase sangue estava eu, correndo de medo. Fugindo entrei numa galeria. O azar deve de ter fechado as portas de minha liberdade. Estava encuralado. Seguranças vieram ao meu encontro. Fora atirado de encontro ao vidro. Pedaços de borracha já entavam em minhas pernas. Fora caceteado e pisoteado. Não acretidava em tal horror. Como pode tamanha violência?
Logo um PM me algemou e levou-me a delegacia. No carro, vim junto com dois punks. Um, devia de ter sangrado um rio inteiro, pois não via mais seu rosto. O outro não se mexia. Tremia de dor. A algema já perfura nossos pulsos. O sangue não passava mais. Estavamos entorpecidos. Chegamos a delegacia. Pensava comigo mesmo. Já passei por um inferno, pior do que isso não pode ficar. Estava ai, nesse pensamento, o meu mairo enganado. Estava prestes a conhecer o inferno, ou algo pior...
Um segurança já recebeu-nos com socos, e batidas na cabeça. Dizia que nós precisavamos ser exorcizados, e então batia nossas cabeças uns nos outros. Subimos as escadas impulsionados por "bicos". Fomos levados a uma "sala de espera", que deveria ser rotulada como sala da tortura, pois isso foi o que aconteceu lá.
Tive minha primeira visão do horror. Todos ajoelhados, olhando para a parede. Sentia a atmosfera negra naquele lugar. Fora atirado contra a parede, e me mandaram ficar como os outros. Ajolhei, olhei para parede. Fiquei nessa posição por mais de três horas, como se já não bastasse a dor de ter as pernas naquela posição, sofriamos a dor de pauladas. Chutes, socos, tapas. E a pior dor de todas. A dor pelo medo. O medo pelo poder. O poder pelo abuso. Ameaças de morte. Ameaças de ir pra febem e virar mulherzina de malandro. Aguentar ser chamado de escória do humanidade. Lixo humano. Burros. Se tentássemos mudar de posição, ou olhar para o lado, erámos prontamente reprimidos pela dor fisica.
Já tremia de medo e dor. Pior não poderia ficar, eram os susurros que ouvia. Vida de punk é apanhar, era o tom dos olhos de meu camarada. Esse sim foi torturado. Sangrava, mal conseguia falar. O medo já o havia endurecido. Não se mexia. Apanhava sem gritar. Ao ver o brilho metálico das armas, o medo da morte tomou conta de minha mente. Iria morrer? Não sabia o que iria acontecer. Estava humilhado e espancado.
Fomos separados como animais. Mandaram-me descer, para eu ser identificado. A sala de identifição era uma mamorra. Toda em ruinas, com instalações elétiricas expostas. Grades enfurrujadas. Todos de pé olhando para a parede. Ameaçamas de levar choque. Ameaças de ficarmos pelados e humilhados. O pior era o suspense. Olhando para o buraco de concreto a minha frente, não consequia enxergar mais nada. Só ouvia as ameaças, e rezava para que não encostassem em mim.
Felizmente nada mais aconteceu. Advogados e pais já estavam chegando para tirarnos do horror. A covardia dos guardas era algo grotesco. Na presenças de autoridades eles ficavam de cabeças baixas. Quando eles viravam as costas, os pm desciam o pau em nós. Alguns policias apareceram com a mão enfaixada. Mentira. Para bater em nós, não havia machucado nenhum.
Agora para incriminar-mos suas mãos aparecem machudas. Revolta, medo, dor, angústia. Sentiamos isso, e para manifestarmos, só podiamos ficar queitos. Ai, de quem falasse. O horror dentro da delegacia acabou. Mas feridas assim não cicatrizam. Repressão militar, não é o que precisamos. O Brasil, ainda tem tortura. Os que foram torturados não podem calar-se. Berrem por sua liberdade, ou outros, como tu, irão passar infernos cada vez piores.
Brunowsky
obs: a foto acima não corresponde com o autor do texto, trata-se de outro manifestante ferido pelos policiais durante a manifestação.

 

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